O MST e a luta pelo direito à saúde em tempos de pandemia

O MST e a luta pelo direito à saúde em tempos de pandemia

O Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), é um Movimento que tem como objetivo a luta pelo acesso à terra e Reforma Agrária Popular. Nesses tempos de pandemia, o Movimento vem reforçando ainda mais os cuidados com a saúde no campo e a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS).

O MST e a luta pelo direito à saúde em tempos de pandemia.

Para Aimbere Jardim, integrante do setor estadual de saúde do MST Bahia, é preciso pressionar o Estado para que este implemente políticas públicas de soberania e segurança alimentar dentro dos assentamentos e acampamentos, e assim garantir medidas de saúde preventivas às doenças.

Historicamente, o acesso à saúde básica e de qualidade para a população sempre foi marcado pelo descaso, faltam investimentos em saneamento básico, coleta de lixo, moradia digna e transporte público. Não ter garantia desses direitos agrava ainda mais a condição de vida do trabalhador rural, principalmente, em tempos de pandemia como o causado pela COVID-19.

De acordo o Setor de Saúde do MST na Bahia, foram criadas diversas estratégias no combate a proliferação do vírus em áreas de assentamento e acampamento, como por exemplo, o mapeamento, monitoramento e acompanhamento dos casos de COVID-19 nas brigadas, doações de álcool, máscaras e fitoterápicos. Além de realizações de lives e podcasts que trataram sobre o coronavírus.

A luta pelo acesso à terra, está entrelaçada com luta pela saúde, o setor de saúde carrega consigo o lema “Saúde em primeiro lugar, não tiver saúde não temos como trabalhar”, com a pandemia ficou muito evidente a preocupação do setor em cuidar dos companheiros e companheiras com orientações e acompanhamento médico, inclusive porque os casos de violência domésticas, acidentes e depressão aumentaram significamente, além dos casos de doenças crônicas com diabete e pressão arterial.

O MST e a luta pelo direito à saúde em tempos de pandemia-

É importante ressaltar que desde o início da pandemia, o movimento vem realizando ações de reflorestamento, e as diversas atividade de solidariedade, com doações de alimento oriundos da agricultura camponesa, marmitas e cestas agroecológicas nas cidades que o movimento atuam, como forma de dar subsistência neste momento que a renda de muitos trabalhadores estão comprometidas.

Outra ação que estão sendo construída pelo coletivo de saúde do MST é a formação dos agentes populares de saúde. A ideia é formar agentes populares de saúde para o cuidado do povo em tempos de pandemia.

Os agentes são pessoas que moram no território de Reforma Agrária do MST, os quais se dispuseram a contribuir na tarefa de acompanhar e monitorar as famílias em relação ao impacto, as formas de prevenção e encaminhamentos à rede pública de saúde relacionadas ao coronavírus.

Ao todo, na Bahia, 40 agentes estão sendo treinados. “Essa é uma iniciativa nacional e parte dos movimentos populares que compreendem e defendem a solidariedade que organiza a defesa da vida do povo, baseada nos valores do cuidado, da organização e emancipação das pessoas”, Afirma Jardim.

Enfrentamento à pandemia no Extremo Sul da Bahia

O MST e a luta pelo direito à saúde em tempos de pandemia

O setor de saúde do MST da Regional Extremo Sul da Bahia vem combatendo diariamente a proliferação da COVID-19 em seus Assentamentos e Acampamentos. O monitoramento e acompanhamento das famílias são tarefas realizadas diariamente.

As estratégias adotadas pelo Movimento, em tempos de pandemia, vêm se destacando em todo o território, como as doações de máscaras e de álcool em gel distribuídas desde o surgimento do coronavírus.

Segundo Taliane Amaral, dirigente do setor de saúde da Regional Extremo Sul, tem sido um desafio constante permanecer forte estando na linha de frente do combate ao vírus.

A solidariedade também foi outra estratégia usada no extremo sul, mais de 20 toneladas de alimentos foram doadas às famílias carentes da região como forma de dar subsistência neste momento que a renda de muitos trabalhadores está comprometida. A ação fez parte da campanha “Vacina no braço e alimento na mesa”.

O coletivo de saúde está se empenhando ao máximo, mesmo de longe, para orientar e auxiliar às famílias Sem Terras neste período tão turbulento e devastador.

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